Princípio institucional
O PADDE pode estruturar e apresentar a proposta, apoiar a reflexão e acompanhar evidências. A criação do clube, a definição de responsáveis, os horários, a utilização dos equipamentos e a articulação com a coordenadora/equipa LED dependem das decisões das estruturas competentes. A proposta não atribui ao PADDE a gestão do LED nem a execução técnica dos equipamentos.
Ano 0 · 2026/2027 · Preparar e prototipar
Identificar recursos LED mobilizáveis, necessidades de capacitação dos docentes, tipo de clube ou projeto, objetivos pedagógicos, responsáveis possíveis, público, horário, regras de utilização, indicadores e formas de registo. Nesta fase deve existir articulação com a coordenadora/equipa LED para perceber que equipamentos estão efetivamente disponíveis, quais exigem formação específica e que condições de utilização devem ser respeitadas.
Deve também ser identificado o perfil dos docentes que poderão dinamizar o protótipo: disponibilidade, interesse, capacidade de trabalhar por projeto, facilidade na utilização ou aprendizagem dos equipamentos, abertura ao trabalho interdisciplinar e capacidade para acompanhar alunos de forma continuada. Docentes de Informática poderão ser candidatos naturais em alguns clubes, mas a proposta não deve ficar limitada a esse grupo disciplinar quando outros docentes reúnam condições adequadas.
No final do Ano 0 deverá ficar preparada a estratégia de divulgação e recrutamento do clube, para arrancar na transição para o Ano 1 e continuar durante o primeiro ano de funcionamento. A campanha deve ser suficientemente apelativa para captar um primeiro núcleo de alunos interessados, explicando claramente o que se vai fazer, que equipamentos poderão ser usados, que produtos poderão ser criados e que papel os alunos terão, evitando apresentar como garantido aquilo que ainda depende de aprovação.
Poderá ser construído um protótipo simples e, se houver condições, apresentada uma proposta ao Conselho Pedagógico e/ou às estruturas competentes, de acordo com os procedimentos internos do Agrupamento.
Ano 1 · 2027/2028 · Arranque e primeira geração
Se a proposta for aprovada, iniciar o clube com utilização regular e documentada dos recursos selecionados. Procurar um núcleo de alunos com possibilidade de permanência plurianual, favorecendo continuidade e transmissão entre pares. Trabalhar conhecimento, execução prática, responsabilidade, cooperação, autonomia e cuidado com os equipamentos através de projetos concretos.
A campanha de divulgação e recrutamento, preparada no final do Ano 0, deverá intensificar-se na transição para o Ano 1 e manter-se ativa durante o primeiro ano de funcionamento: demonstrações curtas, exemplos concretos do que os alunos poderão construir ou produzir, presença em momentos da escola e comunicação visual simples. O objetivo é tornar o clube desejável e reconhecível, atrair novos participantes e consolidar o primeiro núcleo de alunos, sem prometer atividades ou equipamentos que ainda não estejam confirmados.
Ano 2 · 2028/2029 · Autonomia e metacognição
Os alunos que permanecem no clube começam a assumir maior responsabilidade na gestão do tempo, espaço, tarefas e estratégias de aprendizagem. Podem propor atividades, comparar soluções, explicar escolhas, rever erros e autoavaliar o progresso. O objetivo é recolher evidências de autorregulação e de aprendizagem sobre a própria aprendizagem, sem tratar estas observações como um teste psicológico formal de metacognição.
Ano 3 · 2029/2030 · Disseminação e alunos mentores
O clube poderá preparar pequenas sessões para outras turmas, em articulação com os respetivos docentes. A lógica de disseminação é clara: é o clube que vai às salas das turmas, e não as turmas que vão ao clube. Sempre que a logística dos equipamentos o permita, os alunos mentores deslocam-se à sala com a atividade, os materiais e os recursos LED necessários. O espaço do clube ou do LED só será usado como alternativa quando a natureza do equipamento tornar impraticável a deslocação.
Os alunos mais experientes passam de utilizadores a mentores, planificando, explicando, antecipando dificuldades e apoiando colegas. Quando existir articulação curricular, estas sessões poderão integrar ou apoiar DAC das turmas, desde que sejam planificadas com os docentes e disciplinas envolvidos; o clube não é, por si só, um DAC.
Progressão de referência
Preparar → aprender fazendo → aprender a aprender → ensinar e transferir conhecimento.
Continuidade entre gerações
A permanência de parte dos alunos durante vários anos pode criar memória interna: alunos experientes apoiam os novos elementos, permitindo que procedimentos, projetos e saberes não dependam exclusivamente do professor responsável. Esta continuidade deve ser promovida sem impedir a participação de outros alunos elegíveis.
Evidências possíveis
- articulação realizada com a coordenadora/equipa LED e condições identificadas para utilização dos recursos;
- docentes envolvidos, respetivo perfil funcional e formação/capacitação realizada;
- ações de divulgação/recrutamento e alunos participantes;
- permanência dos alunos ao longo dos anos;
- sessões realizadas e regularidade de utilização dos recursos LED;
- projetos, protótipos, vídeos, portefólios ou outros produtos;
- turmas e disciplinas abrangidas em sessões de disseminação;
- registos de planificação, autoavaliação e reflexão dos alunos;
- momentos de mentoria entre alunos e feedback de docentes/turmas.
Porque estas dimensões?
Pedagógica - principal: a finalidade é criar um percurso de aprendizagem prática, autonomia, metacognição, colaboração e transferência de conhecimento através de projetos e recursos LED.
Organizacional - complementar: exige desenho plurianual, definição de responsáveis e horários, articulação entre estruturas, eventual aprovação interna, continuidade geracional e monitorização.
Tecnológica e Digital: os equipamentos LED são o suporte e o tema de muitas atividades, mas isso não basta para atribuir esta dimensão à intervenção. Só deverá ser acrescentada se o projeto vier a incluir uma componente autónoma de instalação, configuração, manutenção ou operação técnica assumida pelo PADDE.